2018-5 Juventude

Que família eu gostaria de ter?

Abr 12, 2019 Jan Bilewicz

Hoje vou partilhar alguns pensamentos a respeito da minha sonhada família. Naturalmente, o que eu escrevo não precisa necessariamente corresponder aos sonhos de vocês. Os sonhos de vocês podem ser diferentes e tão bons como os meus…

Começarei pelo fim. Eu gostaria de residir com a minha família no interior. Sim, justamente no interior. Nós moraríamos perto da natureza, o que é muito importante para mim, porque a natureza fala da grandeza e da sabedoria de Deus. As árvores, os campos, as flores fazem um relato incessante a respeito do seu Criador. É preciso ter apenas um pouco de paz no coração para ouvir esse relato… A cidade fala primeiramente dos seus criadores, das pessoas. Nem sempre − na minha opinião − esse é o relato mais belo.

Certa vez, residi no interior durante três anos. Lembro-me de como os pássaros vinham buscar a comida deixada no parapeito da janela. Até o pica-pau! Os rouxinóis, por sua vez, já eram tão corajosos assim. Vinham somente quando fazia muito frio e pousavam timidamente nos arbustos dos lilases em volta da casa. As pegas gostam de caminhar. São muito bonitas, mas infelizmente têm mau caráter. Inescrupulosamente, por exemplo, elas roubavam os ovos dos ninhos de outros pássaros. Eu observava as grandes lutas que os pássaros menores travavam com elas. Os melros, negros como o carvão, têm o costume de permanecer perto da casa. Que concertos eles organizavam na primavera e no verão! Os numerosos bandos de gansos selvagens que voavam para o sul provocam nostalgia no coração. Voam milhares de quilômetros para, na primavera, voltarem sem errar aos seus ninhos. Assim como as cegonhas.

Os vizinhos se espantavam por eu não ter uma televisão, e até queriam me dar uma. Eu sempre respondia que não tinha necessidade de uma televisão, já que de qualquer forma eu já assistia os dois melhores canais − olho por uma janela e tenho o National Geographic, olho pela outra e tenho o Animal Planet. Tudo ao vivo. E as notícias, bem, eu podia ler no jornal. Eu não assistia televisão, mas em troca tinha algo com que um espectador inveterado nem sonha.

Com amor, é preciso dar aos filhos, sobretudo, valores e não objetos

Teria muito para contar. Isso certamente daria um livro, mas devo escrever uma carta breve… Em todo o caso, eu gostaria de residir com minha esposa no interior: minha esposa, eu e os filhos. Muitos filhos! Muitos! Eu amo crianças!

Incêndio

Vou lhe contar agora uma breve história… Imagine que você está caminhando pela rua de uma pequena vila. A manhã está ensolarada, tranquila… De repente, você percebe ao longe colunas de fumaça que se elevam de uma das casas. Você apressa o passo. Chega mais perto. Vê que a casa está em chamas. Pessoas se reúnem em volta, conversando e gesticulando nervosamente. Algumas trazem água em baldes de algum lugar. “Será que chamaram os bombeiros?” − você pensa. “Porque desse jeito nunca apagarão o fogo”. Você ouve uma mulher, provavelmente uma vizinha, a qual diz chorando que parece que há uma criança dentro da casa. Ela mesma não quer acreditar nisso… Finalmente exclama: “Com certeza ela está ali!” Viu que a mãe tinha saído de casa, mas sem a criança. Ela fazia isso às vezes. Nesse horário, geralmente uma criança está dormindo. E podia ter saído para fazer compras. Os seus lábios emudecem, mas o coração grita: “Pessoal! Lá dentro há uma criança!…”. Inesperadamente, um rapaz se aproxima correndo da porta da casa em chamas. A porta está trancada. Tenta forçá-la. Finalmente consegue abri-la. Entra correndo. Todos ficam estupefatos! Você reza. Pela primeira vez na vida, tão sincera e profundamente. O tempo passa devagar, muito devagar… E lá está ele, sai correndo com o menino chorando… Que alívio! Graças sejam dadas a Deus! Alívio, alívio, embora a casa continue a queimar. A garagem, com o carro dentro, também está em chamas. Você pensa: “Que se incendeiem mais dez casas e dez garagens com carros dentro. O mais importante é que a criança foi salva!”

Voltemos à realidade e analisemos a situação descrita… Você confessará que aquele homem fez algo de grande, incrivelmente grande. Salvou a vida de uma criança, que é única e singular. Nunca nasceu nem vai nascer alguém assim. A vida humana é inestimável, porque é eterna. Uma vez iniciada, nunca terminará. Tem um valor infinito, maior que qualquer outra coisa.

E agora ouça: salvar a vida de uma criança e dar a vida a uma criança é mais ou menos a mesma coisa, não é verdade? Dar a vida a um ser humano é uma coisa extraordinária. Essa vida é singular, eterna, inestimável. Tem um valor infinitamente maior que qualquer coisa.

No entanto − veja − quantos homens e quantas mulheres não querem dar a vida. Preferem ter mais coisas… Afirmam: “Não tenho condições de ter mais um filho”. Muitas vezes, pessoas realmente ricas falam isso. Por exemplo, um escritor italiano afirmou isso. Ele ganha muito dinheiro, milhões de euros, mas não tem condições de ter um outro filho? Outros, que na realidade não ganham milhões, também afirmam a mesma coisa, mas, considerando as coisas objetivamente, eles poderiam ter mais filhos. Isso é negligenciar um grande bem, você não acha? Alguém não veio ao mundo. Não se iniciou a vida de alguém.

Olhe em volta e você mesmo verá… Veja, a propósito, quanta aversão existe em relação às famílias numerosas. Quanta raiva “desinteressada” e quantos gestos de compaixão… Pensem em vocês mesmos, materialistas, egoístas! Deixando de lado outras questões interessantes, quem vai trabalhar para pagar as aposentadorias de vocês? Se não houver ninguém para trabalhar, aí é que virá a miséria. E se, Deus nos livre, alguém ficar doente, talvez só haja recursos para uma aspirina. E o sujeito vai morar sozinho numa casa de idosos, porque quem poderia vir fazer-lhe uma visita? E então a chamada esquerda, como de costume preocupada com o bem-estar da população, resolverá todos os problemas de vocês com a ajuda da eutanásia…

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