2018-5 Juventude

Por que os rapazes querem esperar até o casamento?

Abr 15, 2019 Jan Bilewicz

Olá! Será que todos os rapazes só pensam “naquilo” e só buscam “aquilo”? Essa é a opinião que pode ser ouvida em todos os lugares. Aqueles que a divulgam provavelmente só pensam e buscam “aquilo” eles mesmos, e medem os outros pela sua medida. Típico!… Muitos rapazes mantêm-se castos e pretendem manter-se assim até o casamento. Já escrevi a respeito de como as moças fundamentam a sua decisão de observar a castidade pré-matrimonial. Agora é a vez dos rapazes. Cada um dos pesquisados mencionou pelo menos quatro argumentos (e no máximo dez) a favor da castidade. Parece-me que eles têm essa questão bem resolvida. A seguir apresento os testemunhos mais interessantes:

Mantenho a castidade porque dessa forma aprendo a respeitar as moças

Esse é um dos meus argumentos prediletos. O aprendizado da castidade é o aprendizado do respeito às moças. Você certamente não dirá que um playboy olha para as moças da mesma forma que um homem casto? Um playboy é um sujeito que olha para as mulheres como um coelho no cio olha para a coelhinha… Mas eu não quero ver nas moças somente os corpos. Não quero pensar continuamente a respeito de como conquistar esta ou aquela e depois induzir a isso ou aquilo, e principalmente levar para a cama e utilizar até que um novo “objeto” seja encontrado.

Um outro relacionamento com as moças me interessa − quero admirar a sua beleza, sobretudo a beleza interior, da qual o homem necessita de maneira especial: o seu afeto, a meiguice, a delicadeza, a solicitude, etc. Quero conversar com elas normalmente, partilhar pensamentos e vivências, sem manipulação, sem intenções ocultas, simplesmente ter amizade com elas. Essa forma de olhar para as mulheres − ou seja, olhar com amor − é algo que se aprende. E que se alcança na medida em que se é capaz de superar a concupiscência em si mesmo.

André, de 19 anos, escreveu o seguinte: “Gosto muito da companhia de moças. Elas têm algo que me falta na companhia masculina. Mas percebo isso e sou capaz de me alegrar com isso somente quando sou casto nos pensamentos e nos desejos. A concupiscência, se não a domino rapidamente, perturba essa harmonia”.

Decidi esperar, porque existe algo chamado fidelidade pré-matrimonial. Antes do casamento devo permanecer fiel à minha futura esposa.

Sabemos, naturalmente, o que é a fidelidade conjugal. Mas o que é a fidelidade pré-matrimonial? Não se fala disso. Será que é um tabu? Não espere ouvir sobre tais assuntos na televisão ou ler a respeito deles nos portais da internet, ou ainda nos jornais e revistas: se ali se propaga até a infidelidade conjugal, o que se dirá a pré-matrimonial?

Imagine a seguinte situação: alguns anos após a formatura, você encontra na rua o seu antigo colega de escola. Vocês não se viam desde a formatura. Agora você já é casado, tem filhos e leva uma vida familiar estabilizada. Vocês vão jantar num restaurante. Vocês têm tanta coisa para contar! Após alguns brindes pela saúde dos antigos professores, vocês começam a relembrar.

Tudo que fazemos e dizemos tem influência sobre alguém à nossa volta − boa ou má. Dessa forma, cada um de nós edifica a civilização da vida e do amor, ou a civilização da morte

Em determinado momento, seu colega diz que conhece sua esposa e que antigamente até a namorou por algum tempo. Tinha um desejo enorme de sexo, mas isso deu em nada. Ela lhe dizia categoricamente que na realidade gostava dele, mas que reservava as intimidades somente para o marido.

Como você se sentiria? Não sentiria orgulho de sua esposa? Cada um gostaria de ter uma esposa que foi capaz de esperar por ele! E cada mulher − a propósito − gostaria de ter um marido que foi fiel a ela antes do casamento.

E agora um outro cenário. Alguns anos após a formatura você encontra seu antigo colega de escola. Você vai jantar com ele. O vinho facilita um pouco as confidências. E, de repente, seu colega começa a contar que um dia namorou sua esposa. Sabia que sentia atração por ele. Quando propôs o sexo, ela não apresentou objeções. E depois ainda contou alguns detalhes picantes sobre os encontros deles… Como você se sentiria? Não se sentiria traído? Existe algo chamado fidelidade pré-matrimonial?

Alguém poderá dizer que a esposa não precisa saber o que seu marido fez no passado, nem o marido precisa saber o que sua esposa fez, e uma situação como a acima descrita raramente ocorre. Responderei com a seguinte pergunta: se no matrimônio o marido trai a esposa, e ela não sabe nada disso, será que o relacionamento deles está tão correto como quando ele não a traía? O amor estará no mesmo nível? Claro que não! Ele de qualquer forma traz no coração a sua traição, e com isso o relacionamento conjugal estará ferido.

Voltemos ao início. O silêncio não resolve o problema do mau passado. Então iniciamos uma nova vida e não conversamos sobre o que aconteceu um dia? Que amor seria esse? A pessoa que me é mais íntima na vida tem algumas áreas secretas às quais não tenho acesso? Ou inversamente − eu tenho segredos diante dela. Como poderíamos ser os mais íntimos um do outro? O amor consiste, entre outras coisas, em se falar sobre tudo. Sem sinceridade não existe o verdadeiro amor… A mentira, num caso desses, é uma solução ainda pior. Será que podemos edificar o nosso futuro sobre a mentira?

O melhor seria confessar o erro e pedir perdão sinceramente pelas infidelidades pré-matrimoniais. Algo desse tipo deve necessariamente ser feito antes do casamento. Isso exige simplesmente honestidade. Os noivos devem conhecer o passado das pessoas com as quais devem ligar-se até o fim de suas vidas. Naturalmente, o pedido de perdão é uma coisa; fica ainda faltando a avaliação racional do outro lado: se alguém, apesar do arrependimento naquele instante, terá condições de cumprir as promessas matrimoniais. Afinal, aprendeu (durante anos, talvez) a ser infiel. Será que agora, de repente, saberá mudar o seu estilo de pensar e de proceder? Será que não está prometendo algo apenas sob a influência da emoção?

Como você vê, surgem muitas complicações. O melhor é que o noivo possa sinceramente confessar à noiva (e vice-versa): “sempre fui fiel”. Você não acha?

Mantenho a castidade porque quero ser livre

Alguns afirmam que são “livres” porque veem pornografia, enumeram as namoradas que tiveram (se não na realidade, então na fantasia), masturbam- se, etc. Você acha que serão capazes de parar? Se alguém entende a liberdade dessa forma, torna-se dependente rapidamente. O mal escraviza. “todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo” (Jo 8,34). Evidentemente!

Jesus, filho de Sirac, assim escreve: “Não te eleves como um touro nos pensamentos de teu coração, para não suceder que a tua loucura quebre a tua força” (Eclo 6,2). Você adivinha do que se trata? Quando você liga a televisão após as 22 horas, pode ter noventa por cento de certeza de que verá alguma ilustração dessa judiciosa sentença. E quanto mais adiantada a noite, com tanta maior frequência aparecem sujeitos como aqueles touros agitados pela concupiscência. São eles − não é difícil de perceber − os “heróis” prediletos de muitos diretores de cinema e televisão que atuam hoje em dia. Aqui as aparências não enganam… Pergunto: Será esse o seu ideal de vida?…

Quem luta pela castidade aprende a controlar a concupiscência. Quem mantém a castidade sabe controlar a concupiscência. Livre é aquele que consegue fazer isso. Quem desistiu da luta pela castidade, em menor ou maior grau se torna dependente.

A castidade pré-matrimonial conduz a uma bem-sucedida convivência no casamento

Será que alguém que durante a juventude caiu em alguma dependência sexual, como no vício da masturbação, saberá conviver normalmente no casamento? Não, porque então vai simplesmente satisfazer o seu vicio com a ajuda do corpo de sua esposa. Uma perspectiva pouco interessante, você não acha? Especialmente para a esposa.

Sabe-se que nenhum vício cessa somente porque se contraiu o matrimônio: o alcoólatra continua alcoólatra, o viciado em drogas continua viciado em drogas, o viciado em jogos de azar continua a jogar. Pobre esposa… Seu marido se envolveu um dia com a masturbação e depois não quis fazer nada em relação a esse problema, e em consequência entrega-se hoje a esse vício não como outrora, na solidão, mas para isso utiliza-se dela − sua esposa… Utiliza-se da pessoa que lhe devia ser a mais íntima no mundo. Pratica o vício, e chama isso de “prática do amor”… É de chorar… Você acha que nessa situação as esposas não percebem o que está acontecendo?

Pense nos noivos que decidem manter a castidade pré-matrimonial. Certamente isso lhes custa muito, mas no dia do casamento eles têm uma alegria especial. Quem sabe essa alegria não é maior que a dos atletas olímpicos que ocupam o pódio

A convivência matrimonial deve ser uma entrega mútua, uma doação de si mesmo. O marido que ama não se relaciona porque “já não aguenta”. Se não pode aguentar, isso significa que não dá conta do seu instinto sexual. E por que não dá conta? Porque não aprendeu isso. É preciso aprender o autocontrole, ou seja, passar por um período de castidade, para ser capaz de uma convivência matrimonial bemsucedida, que os faz felizes e que expressa o amor.

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