2018-5

O rosário como salvação para o homem e o mundo

Abr 12, 2019 Jan Gaspars

Durante séculos, o rosário vem sendo uma oração excepcional, sobre cuja eficácia numerosas graças, intervenções divinas milagrosas, conversões e curas dão testemunho. Nossa Senhora e vários santos e doutores da Igreja sempre encorajaram a sua recitação. E no século XX, em particular, essa oração demonstrou o seu poder de forma inteiramente excepcional.

Em 2017, celebramos o centenário das aparições de Fátima, durante as quais Maria apelava à humanidade pela sua conversão, pela prática da penitência e da oração − especialmente a do Santo Rosário. Vale lembrar uma vez mais e analisar a maneira maravilhosa como em nossos tempos o Santo Rosário tem salvado as pessoas, coletividades e nações inteiras que o rezavam, muitas vezes mudando o curso da História, protegendo o mundo de sua destruição. O Milagre no Vístula; a milagrosa libertação da Áustria da ocupação soviética em 1955; a revolução pacífica nas Filipinas em 1986; a queda do comunismo no final da década de 1980 − todos esses acontecimentos não teriam ocorrido se não fosse a oração do Santo Rosário. Mas dois milagres que se realizaram em lugares de total aniquilação foram inteiramente excepcionais.

Protegeu contra a bomba atômica

Na manhã do dia 6 de agosto de 1945, caiu sobre Hiroshima a primeira das duas bombas atômicas que os americanos lançaram sobre o Japão. A bomba explodiu a oito quadras do convento dos Padres Jesuítas. O então prior da comunidade religiosa local − o Pe. Hubert Schiffer – gravou muito bem esse acontecimento. Ele havia acabado de celebrar a Santa Missa e estava se preparando para o café da manhã quando, de repente, tudo foi abalado por um poderoso golpe. “Foi uma surpresa total. De repente […], num piscar de olhos surgiu diante de mim um extraordinário e insuportável clarão; uma luz incrivelmente clara, ofuscante, intensa. Eu não tinha condições de ver nem pensar mais nada. Por um breve momento tudo se imobilizou. […] De repente, uma terrível explosão encheu o ar com um único relâmpago. Uma força invisível me ergueu da cadeira, lançou- me no ar, sacudindo, batendo, fazendo girar em círculos, como uma folha no ar de outono. De repente a luz se apagou. Tudo se transformou em escuridão, em silêncio, em nada. Eu estava consciente, porque tentava pensar sobre o que tinha acontecido. Tateava em volta, dentro da escuridão que me envolvia totalmente. […] Então ouvi minha própria voz. Essa foi a mais assustadora experiência de tudo, visto que mostrou que eu estava vivo e me convenceu de que havia ocorrido alguma terrível catástrofe” (Apud: L. Łaszewski. Tudo sobre o rosário que tudo pode, p. 288-289). A explosão foi vivenciada por toda a comunidade jesuíta, que contava oito religiosos. Como isso foi possível, já que num raio de meio quilômetro do epicentro todos os habitantes de Hiroshima pereceram? Na verdade, duas pessoas sobreviveram, mas acabaram morrendo em seguida, vítimas da radiação. E mais – o prédio da igreja dos jesuítas permaneceu intacto, embora os prédios da redondeza tivessem sido completamente destruídos. Além disso, após uma dose tão grande de radiação, todos os jesuítas deviam ter morrido em consequência dela no decorrer de alguns dias. “No entanto, até o final da sua longa vida gozaram de boa saúde. Isso era tão inexplicável para a ciência que cientistas americanos examinaram o Pe. Schiffer mais de duzentas vezes, querendo encontrar a resposta para a sua sobrevivência” (op. cit., p. 290). Queriam igualmente “encontrar um meio que protegesse as pessoas dos efeitos de uma explosão nuclear. Mas não encontraram nada além da sempre repetida explicação do próprio jesuíta: ‘Em casa, todos os dias recitávamos o Rosário. Naquela casa, todos os dias vivíamos com a mensagem de Fátima’” (op. cit., p. 290).

A explosão destruiu tudo num raio de 1,6 km, e nas regiões mais distantes da cidade a obra de destruição foi completada por diversos incêndios. No entanto, os prédios do convento do Frei Kolbe, construídos parcialmente de madeira, só tiveram vidraças das janelas estilhaçadas

A “bola de fogo” e a milagrosa salvação da “Cidade da Imaculada japonesa”

O segundo ataque atômico que atingiu o Japão ocorreu alguns dias após a destruição de Hiroshima. Dessa vez a escolha recaiu sobre Nagasaki. Também ali, de forma inexplicável, salvou- se o convento dos franciscanos, erguido por São Maximiliano Maria Kolbe. Quando ele chegou ao Japão em 1930, ganhou do bispo um terreno para a construção do convento. Seus companheiros, no entanto, tentaram convencê-lo a mudar o lugar da construção, visto que aquele terreno era muito desfavorável, pois se situava em uma ladeira íngreme do monte Hikosan. Era o antigo cemitério dos cristãos mártires, afastado das edificações e coberto de vegetação selvagem. Uma alternativa para ele era o bairro de Urakami, numa bela localização sobre a baía, habitado por 15 mil cristãos, local do maior santuário cristão do Extremo Oriente da época − a catedral da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria. Apesar dessa localização muito vantajosa, o Frei Kolbe não mudou de opinião. Quando olhou para o lugar, disse: “Não podemos construir o convento aqui; em breve cairá uma bola de fogo aqui e destruirá tudo”. A escolha recaiu então no declive do monte Hikosan. Essa decisão, como se comprovou mais tarde, acabou sendo a mais salutar. Quando sobreveio o ataque atômico contra Nagasaki, 14 anos depois, a bomba foi lançada sobre o primeiro prédio que o piloto reconheceu − justamente a mencionada catedral. A explosão destruiu tudo num raio de 1,6 km, e nas regiões mais distantes da cidade a obra de destruição foi completada por diversos incêndios. No entanto, os prédios do convento do Frei Kolbe, construídos parcialmente de madeira, só tiveram vidraças das janelas estilhaçadas…

Como foi que São Maximiliano previu o lançamento da bomba justamente naquele lugar? Vale a pena enfatizar que a escolha daquela cidade como o objetivo do lançamento da bomba permaneceu incerta quase até o final, e por essa razão a bomba foi lançada a cerca de 3km do objetivo inicialmente planejado, nos subúrbios, quase exatamente sobre o lugar onde, 14 anos antes, o convento de São Maximiliano deveria ter sido construído. A probabilidade de a bomba cair justamente naquele lugar era, portanto, muito pequena! E de que forma o Frei Kolbe previu o ataque de uma “bola de fogo” que tudo destruiria? Afinal, o primeiro teste bem-sucedido da fissão do núcleo do átomo ocorreu somente em 1938, isto é, oito anos após a frase profética de São Maximiliano!

Quando Frei Kolbe chegou ao Japão, levou consigo uma imagem da Imaculada e − como antes − nunca deixou de rezar o Santo Rosário. Ele o recitava várias vezes por dia, sempre com incomum recolhimento e visível alegria. Testemunhas confirmaram que, mesmo quando conversava com alguém, desfiava sob o hábito as contas do Rosário. Foi justamente a Imaculada, a quem tanto amou e com a qual esteve unido pelo Rosário, que lhe permitiu prever o futuro… Quando Frei Maximiliano se afastava para a oração, pegava o Rosário e dizia: “Vou dar tiros contra o demônio!”

O grande poder de uma Ave-Maria

A respeito do grande e milagroso poder que tem a oração da Ave-Maria piedosamente recitada, ainda que uma só vez, testemunham as palavras de São João Maria Vianney, que dizia: “Uma única piedosa recitação da Ave-Maria abala todo o ínferno”! São Luís Maria Grignion de Montfort, por sua vez, escreveu: “Uma Ave-Maria bem recitada, ou seja, atentamente, com devoção e humildade é, segundo o testemunho dos santos, inimiga do demônio, a quem obriga a fugir, é o martelo que o esmaga, é a santificação da alma, a alegria dos anjos, a canção dos eleitos, o cântico do Novo Testamento, a alegria de Maria e a glória da Santíssima Trindade. […] Por isso lhes suplico insistentemente, […], recitai todos os dias, na medida em que o tempo vos permitir, todo o Rosário, e na hora da morte bendireis o dia e a hora em que em mim acreditastes” (São Luís Maria Grignion de Montfort. Tratado sobre a verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria, Varsóvia, 2010).

“Se as pessoas soubessem que têm ao alcance de sua mão uma arma desse tipo, eu permaneceria solitário no inferno. Mas vós não ouvis os papas, os santos e os profetas. Nem o vosso próprio coração. Eu vos venço graças à vossa tolice e ao vosso orgulho. Não tenho medo de vós. Mas tenho medo do rosário”

A eficácia da oração do Santo Rosário foi também conhecida por São João Bosco, ao qual Deus iluminou, graças a visões que surgiam durante o seu sono. Um estranho sonho que o Padre Bosco teve na vigília da festa da Assunção da Santíssima Virgem Maria, em 1862, conscientizou-o de quão poderosa arma na luta contra o demônio é justamente o rosário. São João Bosco foi, naquele sonho, conduzido a um prado, no qual viu uma serpente grossa de oito metros de comprimento. O padre queria fugir, mas Nossa Senhora o deteve, estimulando à luta. Juntos pegaram uma corda, estenderam-na sobre o pescoço do monstro, bateram nele com essa corda e finalmente o amarraram pelo pescoço, apertando o nó. A serpente se balançava, se debatia contra a terra, até que finalmente o seu corpo começou a desfazer-se em pedaços. Então Maria enrolou a corda e em seguida a guardou numa caixa. Quando a caixa foi novamente aberta, verificou-se que a corda havia formado as palavras “Ave-Maria”. Então Nossa Senhora esclareceu que a serpente representava o demônio, e a corda, a oração Ave-Maria, ou antes o Santo Rosário, que constitui o seu desenvolvimento. São João Bosco compreendeu que é justamente com o Rosário que se pode vencer e destruir todos os demônios do inferno. O Padre Francesco Bamonte, no livro Maria e os exorcismos: Testemunho de um exorcista sobre o extraordinário poder de Maria na luta com o demônio, descreve os seus diálogos com os demônios obrigados a dizer a verdade durante os exorcismos. Eis o que um deles confessou: “Se as pessoas soubessem que têm ao alcance de sua mão uma arma desse tipo, eu permaneceria solitário no inferno. Mas vós não ouvis os papas, os santos e os profetas. Nem o vosso próprio coração. Eu vos venço graças à vossa tolice e ao vosso orgulho. Não tenho medo de vós. Mas tenho medo do rosário” (apud: W. Łaszewska, op. cit., p. 200).

Quando Santa Teresa de Ávila faleceu, após nove meses de grandes sofrimentos, uma coirmã sua sonhou com ela, e neste sonho, ela lhe disse que, agora que sabia dos grandes méritos que se alcançam pela piedosa recitação da Ave-Maria, concordaria de bom grado em voltar à terra e sofrer novamente por aqueles nove meses, contanto que pudesse pelo menos uma vez recitar piedosamente uma Ave-Maria…

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