2018-5

“Amou-nos até o fim” (cf. Jo 13,1)

Jesus Cristo deixou-nos uma imagem chocante do sofrimento e da morte na imagem do Seu corpo ressuscitado, gravada no tecido no qual, após ter sido retirado da cruz, foi envolvido e depositado no túmulo. Especialistas em medicina legal afirmam que o corpo de Jesus não permaneceu no túmulo por mais que 36 horas, visto que não há no Sudário quaisquer vestígios da decomposição pós-morte.

O Sudário de Turim é uma testemunha eloquente dos inimagináveis sofrimentos que experimentou Jesus durante a Sua Paixão e Morte na cruz. Assim sofreu o verdadeiro Deus, que se tornou verdadeiro homem para nos salvar e livrar da escravidão do pecado e da morte. Pelo sofrimento e pela morte do Salvador são responsáveis todos os seres humanos. É cada um e cada uma de nós que, pelos seus pecados, tem a sua participação nas feridas infligidas a Jesus a na morte a que foi levado na cruz. Essa enormidade do sofrimento do Filho de Deus tornou-se a fonte da nossa salvação e fez com que, quando alguém oferece o seu sofrimento a Jesus, esse sofrimento se torne o caminho da salvação e uma fonte de graças; ele não destrói, mas santifica e contribui para a salvação dos outros.

A imagem de Jesus martirizado, no Sudário, conscientiza-nos de quanto Deus ama a todo ser humano. Ele realmente “amou-nos até o fim” (cf. Jo 13:1).

É cada um e cada uma de nós que, pelos seus pecados, tem a sua participação nas feridas infligidas a Jesus a na morte a que foi levado na cruz

No Sudário se vê que o corpo de Jesus se encontra no endurecimento pós-morte. O queixo está apoiado no peito e por isso não se vê o pescoço. Jesus foi submetido às terríveis torturas da flagelação, da coroação com espinhos e da crucificação. Em todo o Seu corpo foram contados perto de 600 ferimentos e diversas lesões. Jesus Cristo deseja que conheçamos mais a fundo o Seu amor pela meditação da Sua Paixão: “Medita com frequência sobre os sofrimentos que por ti suportei […]. Tu me agradas mais quando meditas sobre a Minha dolorosa paixão” (Diário de S. Faustina, 1512).

A Face de Jesus

A imagem do Crucificado no Sudário fascina pela sua beleza e pela profundeza do divino mistério, apesar das numerosas feridas, dos inchaços no osso zigomático, dos edemas na bochecha direita, do septo nasal quebrado com um golpe de vara. Entre os cabelos veem- se coágulos de sangue provocados pelas feridas no couro cabeludo. Na testa é visível um grande coágulo em forma do número 3. Também os bigodes e a barba estão impregnados de sangue. São visíveis vestígios de pelos arrancados da camada superficial da pele. Lemos nos Evangelhos: “E batiam- lhe na cabeça com um caniço. Cuspiam nele” (Mc 15:19); “E o esbofeteavam” (Jo 19:3). Dessa forma os judeus tratavam os blasfemos, e Jesus foi condenado à morte por blasfêmia − por se considerar Deus. Apesar de tantos sofrimentos físicos e espirituais, o rosto de Jesus irradia uma divina paz. Isso comprova que Jesus era Deus e que suportou essa enormidade de sofrimentos com a consciência da vitória final, da superação do absurdo do sofrimento e da morte.

Coroação de espinhos

“Os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-na em sua cabeça” (Jo 19:2). Esse gênero de tortura foi inventado apenas para Jesus. Em nenhuma fonte histórica se faz menção à adoção desse tipo de tortura antes da crucificação. No Sudário são visíveis numerosas efusões de sangue no crânio. No tecido, esse sangue forma manchas em positivo. Elas foram provocadas pela perfuração dos vasos sanguíneos na cabeça pelos espinhos da coroa. A coroa de espinhos tinha o formato de um gorro que envolvia toda a cabeça. Os cirurgiões contaram treze feridas na cabeça e vinte na parte de trás, provocadas pelos ferimentos dos espinhos, mas supõem que elas podiam ser em torno de cinquenta. Visto que sob a pele da cabeça encontra-se a rede da inervação e dos vasos sanguíneos, a coroa de espinhos provocou uma dor lancinante e um abundante sangramento. “Se levarmos em conta que na pele da cabeça em 1 cm2 encontram-se mais de 140 pontos sensíveis à dor, pode-se imaginar a enormidade do sofrimento de Cristo durante a trágica coroação” − assim escreveu L. Coppini, diretor do Instituto de Anatomia da Universidade de Bolonha. Pesquisas confirmaram a conformidade dos lugares da efusão de sangue com a anatomia das artérias e veias que se encontram na cabeça. Trata-se de mais uma prova a favor da autenticidade do Sudário, visto que a circulação sanguínea foi descrita e conhecida somente em 1593.

Flagelação

Jesus foi submetido a uma cruel flagelação. Em todo o Seu corpo são visíveis ferimentos causados pelo flagelo romano chamado flagrum, inclusive nas nádegas, o que comprova que foi flagelado nu. Tratava-se de um terrível castigo, que algumas vezes provocava a morte. O flagelo tinha três tiras de couro mais longas com pedaços de metal nas pontas, as quais, com os golpes, arrancavam pedaços do corpo. Foram contadas em todo o corpo 120 feridas provocadas pelos golpes do flagelo. Era costume submeter à flagelação apenas aqueles que não eram condenados à morte. Após a aplicação do castigo, eram postos em liberdade. Inicialmente Pilatos queria apenas açoitar Jesus: “Por isso eu vou soltá-lo, depois de o castigar” (Lc 23:16). Com isso se explica o grande número de golpes e a extraordinária crueldade com que os soldados açoitaram Jesus. Eles trataram isso como um castigo em si mesmo. Eles eram dois. O do lado direito era mais alto e golpeou com evidente sadismo. Jesus se encontrava levemente inclinado, com as mãos amarradas a um poste. As correias dos flagelos enrolavam- se e feriam igualmente a frente do corpo: a barriga, o alto do tórax, e também as tíbias e as cochas.

Extremamente extenuado pela flagelação, Jesus caminhou com grande dificuldade até o lugar da crucificação

Via-sacra

Interpretando os vestígios das feridas no Sudário (sobre a omoplata direita e esquerda), os cientistas acreditam que Jesus carregou até o lugar da crucificação a trave transversal da cruz, o chamado patibulum, e que tinha as mãos a ela amarradas. Supõe- se que a trave pesava cerca de 30 kg e que o seu comprimento era de 1,80 m. Extremamente extenuado pela flagelação, Jesus caminhou com grande dificuldade até o lugar da crucificação. Teve de andar cerca de meio quilômetro. Ao cair, caía com o rosto no chão, batendo violentamente com os joelhos contra o caminho de pedras. Os cientistas comprovaram grandes feridas no rosto, no nariz (na ponta do nariz foram encontrados fragmentos de terra misturados com sangue e partículas de pedra) e nos joelhos, principalmente no direito, provocadas pelas quedas. Visto que Jesus não podia sozinho levar a cruz até o fim, o centurião obrigou a um cidadão chamado Simão de Cirene a carregá- la junto com ele (cf. Lc 23:26).

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