Hoje é: quinta-feira 17.08.2017

Acheiropoietos de Guadalupe

autor: ks. Mieczysław Piotrowski TChr

A origem e a existência da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe é um grande mistério. Depois de repetidas experiências científicas, para cada pessoa aberta e sem preconceitos torna-se evidente que tal imagem é mesmo obra de Deus.

Não confeccionada por mão humana

 A imagem de Nossa Senhora de Guadalupe encontra-se numa capa indígena (tilma) feita de fibra de sisal de agave (ayate). A tilma tinha várias serventias: era usada como capa, à noite servindo como cobertor ou rede de dormir para crianças. O pano de sisal de agave era também usado na confecção de sacos e bolsas.

 

Esta espécie de tecido decompõe-se completamente depois de vinte anos de uso. Neste material, que é semelhante ao de um saco de batatas, é impossível que se pinte qualquer imagem. Porém, no caso desta Imagem, o trançado de fibra serviu para dar ao retrato profundidade. Suas cores quebram-se como acontece nas penas de pássaros ou nas asas de insetos. Depois de quase cinco séculos do surgimento desta Imagem, não há a menor marca de desbotamento ou fissuração, numa tela que já deveria há muito tempo estar completamente decomposta. Este fato testemunha de que estamos lidando com um evidente milagre.

 

Para o esclarecimento de quaisquer dúvidas, em 1976 foram realizadas experiências científicas com o intuito de identificar a fibra onde fora gravada no pano a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe. Foi verificado que a fibra é originária do cacto agave. O tecido confeccionado desta fibra se desfaz e decompõe-se depois de vinte anos. É um milagre inimaginável: Maria deixou seu retrato num dos materiais de mais rápida deterioração existentes, que era usado, dentre outras coisas, para a confecção de sacos de batatas. No entanto, o tecido vem durando desde tantos séculos e, contrariando as leis da natureza, sem sofrer processo de decomposição.

 

É preciso recordar que a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe foi, desde o momento de sua existência, que se iniciou em 1531, o tempo todo exposto a degradantes condições climáticas, ar úmido com partículas de sal, acrescentado da poluição causada pela queima oriunda de centenas de milhares de chaminés e automóveis de uma metrópole de mais de 20 milhões de habitantes como a Cidade do México. Durante os 479 anos de contínuo culto foram acesas diante da imagem uma incontável quantidade de velas, que soltam partículas de fuligem negra e radiação ultravioleta, causadoras de opacidade do brilho e das cores. Apesar da ação de tantos fatores nocivos, a imagem de Nossa Senhora apresenta o tempo todo cores vivas, tão intensas que parecem ter sido recém aplicadas. Além disso, por motivos ignorados a imagem não apanha partículas de poeira nem insetos.

 

O agraciado com Prêmio Nobel em química Prof. Richard Kuhn descobriu, em 1936, que no retrato não há tintas orgânicas nem minerais e que as texturas usadas nesta imagem não são conhecidas pela ciência. Como então surgiu a imagem de Nossa Senhora? Repetidos experimentos microscópicos seus confirmaram que não há nela nenhum rastro de pincel, o que nos leva a estar lidando com um fato impossível de ser esclarecido pela ciência.

 

Em 1963, especialistas da famosa empresa Kodak realizaram detalhadas experiências na imagem de Nossa Senhora e constataram que não fora pintada por mão humana e que possui todas as características fotográficas. A expertise dos cientistas confirmou que na imagem não há a presença de tinta nem rastros de base de pintura, croquis ou verniz, conduzindo à conclusão lógica de que não foi feita por nenhuma mão humana.

 

Dois cientistas americanos de alta classe, S. Callahan e J. B. Smith, da Universidade da Flórida, examinaram a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe usando fotografia em infravermelho, que é uma ferramenta científica padrão em experiências com cada imagem nobre. Esta técnica de fotografia é aplicada no início de todos os trabalhos de renovação de quadros, pois nas fotografias por infravermelho os croquis feitos antes da aplicação da pintura tornam-se aparentes, podendo-se determinar o caráter do fundo sob a gravura, o método de composição, todas as modificações e eventuais emendas posteriores.

 

Aqueles cientistas constataram que o pigmento cor-de-rosa na imagem não assimilou os raios infravermelhos, o que é um fato inexplicável em razão de que esta cor não deixa escapar tais raios. Ainda descobriram que o conjunto de cores da imagem de Nossa Senhora é de tal forma excepcional que não pode ser obtido por nenhuma das técnicas de pintura. Possui ela características de coloração existentes somente na natureza em pássaros e insetos.  As experiências com infravermelhos  também confirmaram que sob a gravura não há pistas de croquis e de fundo de pintura no pano, o que seria necessário para a pintura em tecido, e a imagem não é coberta por verniz.

 

Não existem técnicas de pintura capazes de obter tais efeitos. Não existe uma explicação racional para o contínuo frescor e claridade das cores na imagem, mesmo depois de passados cinco séculos desde seu surgimento, em 1531.

 

É necessário recordar aqui de dois sensacionais fatos. Em 1791, um dos funcionários da basílica acidentalmente derramou sobre a imagem ácido amoníaco, que destrói celulose rapidamente. O fato é que o tecido não sofreu nada e na imagem não há nenhuma marca deste incidente. Isto não pode ser explicado de outra forma senão por uma especial proteção à imagem por parte de Deus.

 

Durante as sangrentas perseguições à Igreja católica pela maçonaria, em 1921, ateus colocaram uma bomba sob o altar de Nossa Senhora, com objetivo de destruí-lo completamente. A poderosa explosão destruiu o altar, os vitrais, entortou o crucifixo de ferro que estava ali, mas sequer manchou a imagem milagrosa. Houve ainda outras tentativas de destruição da imagem, mas nenhuma delas obteve sucesso. A imagem teve milagrosa proteção contra a irracional agressão das pessoas escravizadas pelo poder do mal.

 

Não é possível copiá-la

 Um papel de grande importância nas experiências com a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe teve a fotografia. As primeiras fotos de alta qualidade da imagem foram feitas em 1928 por Manuel Ramos. Em 1929, certo médico oculista fez observações com o uso de lupa e, ao examinar as pupilas aumentadas, em certo momento deixou escapar um brado ao se impressionar, deixando a lupa se lhe cair das mãos, pois nos olhos de Maria estava vendo a imagem de várias pessoas. Para ele estava tornando-se claro que se tratava de “pupilas vivas”, que nenhuma pessoa seria capaz de pintar.

 

Esta descoberta foi confirmada em 1951 pelo fotógrafo e desenhista José Carlos Salinas Chávez, quando o Arcebispo Metropolitano da Cidade do México Dom Luís Maria Martinez convocou uma comissão especial formada por cientistas, que estavam incumbidos de examinar todo o fenômeno. Depois de quatro anos de trabalho, em 1955 a comissão publicou um documento constatando que os olhos de Maria apresentam-se de tal forma vivos que seria impossível terem sido pintados pelo Homem. Nas pupilas dos olhos de Nossa Senhora aparece a figura de um homem, que é muito possivelmente do índio Juan Diego, pois seu rosto em retrato da época das aparições é muito parecido com o rosto refletido no olho direito de Maria.

 

Novas experiências nos olhos de Maria foram realizadas em 1956, por dois oftalmologistas: Dr. Torroella Bueno e Dr. Torrija Lavoignet, levando a descoberta de que figuras humanas são visíveis em ambas as córneas de Nossa Senhora. Os exames foram levados a cabo através do uso de oftalmoscópio. Ao anunciar o resultado de seus trabalhos, o Dr.ª Lavoignet atestou: “nas córneas dos dois olhos é visível a figura de uma pessoa. O formato e a localização da imagem ótica são idênticas aquelas que se formam no olho humano. Se dirigirmos a luz do oftalmoscópio nas pupilas dos olhos da imagem de Nossa Senhora, percebemos o mesmo efeito de um olho normal: a pupila ilumina-se com a luz disseminada, dando a impressão de um formato côncavo. Isto é impossível de se obter numa superfície plana e não transparente, como teríamos num quadro comum. Examinei olhos em imagens e fotografias e não obtive nada semelhante. Os olhos da imagem de Nossa Senhora causam a impressão de estarem vivos”.

 

Os resultados destas experiências foram confirmados por outros médicos cientistas, que nos anos ’60 e ’70 do século XX realizaram semelhantes exames. O Prof. Bruno Bonnet-Eymard disse: “tudo está demonstrando que no momento quando a imagem surgiu, o homem que estava com a face voltada à Santíssima Virgem e que aparece na superfície da córnea de Seu olho foi diretamente fotografado”.

 

Graças a outras experiências feitas na sequência, foram descobertas nos olhos de Maria imagens, obtidas em específicas camadas do olho (duas vezes em linha reta e uma vez com giro de 180°). Este é o chamado efeito de Purkyn-Samson, que acontece apenas em olhos vivos.

 

O ótico norte-americano Dr. Charles Wahlig, em conjunto com cientistas de outras áreas, examinou a imagem através de ampliação de 25 vezes e encontrou dois novos rostos nos olhos de Maria. Um deles foi identificado, era muito semelhante do de Juan Gonzalez (tradutor do bispo Zumarraga), que teve seu retrato, feito em 1533, encontrado dois anos antes.

 

Em 1979 foram aplicadas nas experiências com a imagem de Guadalupe as mais novas técnicas digitais. Foi utilizado um equipamento que a NASA usa para fazer fotografias de satélite. A imagem foi ampliada em 2.500 vezes. Na imagem não foi encontrado nenhum rastro de tinta, mas as cores apresentam-se excepcionalmente vivas, frescas e brilhantes. Para a ciência é uma questão inexplicável. Uma análise microscópica de fragmentos ampliados em 2.500 vezes das íris e pupilas de Nossa Senhora permitiu reconhecer a cena do encontro de Juan Diego com o bispo, quando na tilma do índio apareceu a revelação milagrosa da imagem de Maria. É visível ali um grupo de pessoas, o bispo Zumarraga e seu tradutor Gonzalez, Juan Diego com a capa aberta, um índio sentado, um grupo de índios com uma criança, uma mulher, um espanhol barbudo, uma menina negra etc. Vale a pena voltar atenção ao fato de que há pouco tempo foi encontrado no arquivo de Sevilha o testamento do bispo Zumarraga, onde há a informação de uma escrava negra de nome Maria, alforriada pelo bispo. Nos olhos de Maria revelaram-se ao todo 13 pessoas. Era o momento que lemos no Nicán Mopohúa – a primeira descrição histórica daquele acontecimento: “e estendeu a sua capa branca, que dobrado trazia uma flor. (...) Quando o bispo e os demais presentes viram este milagre, com admiração ajoelharam-se. Depois se levantaram para ver a capa”.

 

É preciso aqui mencionar a resposta de José Aste Tonsmann à dúvida do jornalista alemão Paul Badde: “se existisse apenas uma daquelas ‘fotos’ eu lhe daria razão. Aqui temos duas fotografias instantâneas em ambos os olhos. Além disso, as ‘fotografias’ não são idênticas, mas seu reflexo e proporções correspondem perfeitamente entre si, tal e qual está acontecendo agora em seus olhos, onde há duas diferentes, mas perfeitamente correspondentes entre si apreensões da mesma cena. Do mesmo modo nos olhos de Maria de Guadalupe há duas ‘fotografias’, feitas de dois diferentes ângulos, correspondentes perfeitamente ao vetor que se forma numa imagem vista pelo mesmo par de olhos. Justamente nisto está a força comprobatória destas imagens. Se fosse apenas um, poderia ser somente obra do acaso ou resultado de uma interpretação objetiva. Porém, conforme todas as regras de juízo, algo assim é impossível no caso de duas imagens. As existentes então concordâncias e deformações típicas da curvatura da córnea ocular são bastante complexas. (…) Nenhuma pessoa seria capaz de desenhar algo assim. Quem o faria? E para quê?

 

Um dos maiores milagres

 Durante 10 anos, do momento da conquista do México pelos espanhóis, em 1521, até às aparições no monte Tepeyac, os missionários espanhóis haviam conseguido converter apenas um pequeno número de índios. No entanto, após as aparições de Nossa Senhora em 1531, ocorreu em alguns anos a maior quantidade de conversões da história da humanidade. Os índios, que em sua esmagadora maioria relacionavam-se com inimizade com a religião, cultura e presença dos conquistadores espanhóis, graças às aparições de Nossa Senhora e à milagrosa imagem de Guadalupe aceitaram o batismo, sendo 9 milhões durante 7 anos, e tornaram-se ardentes católicos praticantes. Documentos históricos relatam que missionários batizavam filas de índios que esperavam pelo sacramento, de manhã até a noite, celebrando também o sacramento do matrimônio. Conforme anotou o franciscano Pe. Toribio, ele e outro sacerdote que o ajudava batizaram durante cinco dias 14.200 almas. Assim acontecia em todos os locais de missão. Diariamente milhares de índios esperavam pelo batismo e outros sacramentos. A manifestação da Mãe e a sua mensagem contida na imagem milagrosa tocou a todos os índios de tal maneira, que convertiam-se espontaneamente, aceitaram a mensagem do Evangelho e o sacramento do batismo, tornando-se membros  da grande  comunidade da Igreja católica. Um grande milagre se realizou, onde desapareceu o ódio e a mútua inimizade entre índios e espanhóis. Além disso, estas duas nações tão estranhas entre si no aspecto cultural, racial e religioso, uniram-se para formar a nação mexicana. O racismo e o nacionalismo desapareceram por completo. Todos tornaram-se filhos de Maria, Mãe do verdadeiro Deus Jesus Cristo, que para a nossa salvação fez-se verdadeiramente homem. A cristianização dos índios, mas também a transformação e solidificação da fé dos conquistadores espanhóis correu de modo muito profundo e em ritmo acelerado. Com toda certeza foi um dos maiores milagres e um dos mais importantes acontecimentos na história da humanidade.

 

Papel decisivo

 Um papel decisivo na conversão de todos os índios tiveram as aparições de Nossa Senhora e a imagem milagrosa, deixada por Maria na tilma do índio Juan Diego. A imagem de Nossa Senhora de Guadalupe com todo o seu rico simbolismo é a versão na língua dos astecas do principal mandamento das Sagradas Escrituras.

 

Devemos recordar que os astecas praticavam barbárie religiosa, davam honras a mais de 200 deuses principais e 1.600 deidades menores. O mais importante de todos era o deus Sol, que teve a luz sombreada por Maria na imagem de Guadalupe. Também tinha importância o deus Lua, que na imagem está sob os pés de Maria. Os astecas chegavam a oferecer em sacrifício aos deuses mais de 20 mil pessoas no decorrer de uma semana, e por este motivo estavam sempre envolvidos em guerras, pois precisavam de prisioneiros para sacrificar nos rituais, arrancando-lhes do peito o coração ainda batendo. Estes sacrifícios sangrentos eram oferecidos principalmente ao deus Sol, para que tivesse forças suficientes para despontar no horizonte e iluminar a próxima manhã.

 

Na imagem de Guadalupe, Maria encobre o sol, o que é o sinal de que ele não é um deus e que não se deveria mais realizar sacrifícios humanos. As flores em Suas vestes significam que o mundo criado é uma vestimenta para Maria, e a capa de estrelas que Sua cobertura é todo o cosmos. Maria não é uma deusa pois tem as mão postas em oração, mas é Mãe do Filho de Deus, que traz em Seu ventre.

 

A imagem de Maria é um ostensório vivo, demonstrando-nos a sua posição e olhar para o Filho de Deus, que traz em Seu ventre. Bem no centro da imagem há um jasmim de quatro folhas, que para os índios é o símbolo do sol. Para eles era um sinal claro: a Virgem Santa traz em Seu ventre o Deus verdadeiro, que tornou-se verdadeiramente homem para nos libertar da escravidão de satanás, do pecado e da morte. No centro da flor de jasmim, ao se observar através da lupa, vê-se a face do Menino. As estrelas na capa de Maria correspondem às constelações de estrelas sobre o México em 12 de dezembro de 1531, mas vistas desde o espaço à Terra. Deste modo foi registrada na imagem a data da aparição de Nossa Senhora.

 

Maria nomeou-se em idioma náuatle Coatlaxopeuh, que significa A Matadora da Serpente, ou seja, de satanás, que é o maior inimigo do homem. O demônio, que é satanás, é um anjo caído, que pelo pecado do orgulho absoluto tornou-se “um cósmico ‘mentiroso’ e ‘pai da mentira’” (Jo 8, 44): vive mesmo em radical negação a Deus, tratando de impor à humanidade a sua própria e trágica “falsificação do Bem”, que é Deus (João Paulo II, 13.08.1986). Sendo assim, satanás e outros maus espíritos de todo o seu ser odeiam a Deus e desejam partilhar este ódio com os homens, para levá-los ao caminho que leva ao inferno – ao estado de absoluto egoísmo. O satanás usa de toda a sua grande inteligência para levar o homem ao auge do ódio, do orgulho total, da queda e da descrença última. O único socorro para  homem diante desta terrível realidade dos poderes do mal é a entrega total de si, por Maria, a Cristo, que por sua Paixão, Morte e Ressurreição libertou completamente a toda humanidade da escravidão de satanás, do pecado e da morte.

 

Pe. Mieczyslaw Piotrowski SChr

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